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Ilha do Medo



Se há um ator que evoluiu de maneira espetacular ao longo do tempo, esse alguém é Leonardo DiCaprio. Depois de trabalhos como Romeu e Julieta, A Praia e O Homem da Mascara de Ferro, era quase certo que não passava de um rosto bonito, entediante e que não possuía talento algum como ator e estava lá apenas como uma melhora visual à produção, fato que ainda hoje ocorre em alguns filmes que não visam qualidade alguma senão marketing.

Porém, eis que em 2007 surge Os Infiltrados, o vencedor do Oscar, dirigido por Martin Scorsese que mostrou na tela um novo Leonardo DiCaprio: maduro, talentoso e um ator como nenhum outro, e aos que ainda ficaram em dúvida com relação ao seu real valor à sétima arte, veio então Diamante de Sangue e o possível ápice de Leonardo DiCaprio em uma atuação que beira a perfeição, que garantiu sua indicação na Academia e que o consagrou como um dos melhores da atualidade.

Agora, o ator volta em Ilha do Medo, um suspense baseado no livro de Dennis Lehane (o mesmo autor do esplendoroso Sobre Meninos e Lobos) e dirigido por Martin Scorsese, firmando assim ainda mais sua parceria com o ator, o que aconteceu também em Gangues de Nova York, O Aviador e, como já mencionado, Os Infiltrados.

A nova trama conta a história de Teddy Daniels, um agente de segurança que junto a um parceiro (na trama, Mark Ruffalo) é chamado às pressas a um hospital psiquiátrico localizado em uma ilha (a famosa Shutter Island que leva o nome original da película), um sanatório onde são abrigados os mais perigosos assassinos tidos por loucos, um lugar cuja segurança é infalível, e a fuga, claro, impossível. Porém uma das pacientes simplesmente desaparece de sua sala, instaurando assim o sentimento de desconfiança em toda a direção do local.

Simples, não tão digno de atenção no início, porém,assim como a carreira de DiCaprio, Ilha do Medo, minuto a minuto se aperfeiçoa cada vez mais e se torna um filme incrivelmente complexo, sombrio, psíquico e bem feito. Isso porque, aos poucos, tudo ao redor de Teddy parece conspirar contra si próprio, e até mesmo o desaparecimento de Rachel Solando (a paciente) é suspeito, até por que não existe prova alguma que comprove de fato sua existência no Ashecliffe Hospital. E é em meio a esse cenário sufocante e de suspense que Teddy Daniels (o próprio Leonardo DiCaprio) descobre que o assassino de sua ex-mulher que morreu em um incêndio criminoso encontra-se internado no próprio hospital, fato este que traz à tona um passado de certo modo até então “esquecido”, e que faz com que renasça em si um sentimento de vingança.

É história atrás de história, descoberta, atrás de descoberta, um roteiro digno de admiração e um frio na barriga que muitos tentam, mas passam longe de tal objetivo, afinal, tudo aqui faz com que o filme caminhe de maneira cada vez melhor e alcance de fato suas metas, desde a fotografia, a trilha sonora, as perfeitas atuações, e antes de tudo, um roteiro estarrecedor, crédito este a Dennis Lehane, o autor do livro, mas também a quem o adaptou, afinal, se há um diferencial em Ilha do Medo, é o modo como tudo se dá na tela, o dá a impressão de que realmente estamos lendo um livro, pois toda a tensão promovida e a linha narrativa que se desenvolve de maneira cada vez melhor é idêntica à que se obtém com bons romances policiais.

Enfim, uma ótima produção, um filme de se admirar e ao mesmo tempo de se enlouquecer com seu roteiro que beira à perfeição. Ótimas atuações, cenas memoráveis e um final inesperado que o consagra ainda mais em suas qualidades, assim como a de DiCaprio como ator, afinal, não fosse seu talento a cena de desfecho jamais seria tão boa e perturbadora quanto é.

Psíquico, sufocante, admirável e com certeza, um dos melhores do gênero.

1 comentários:

Eli disse...

Puxa...compartilho dos mesmo sentimentos que vc...rsrsrs..sério, estranho como filmes bons assim não são comentados né??

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