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Alice no País das Maravilhas


Bastou vazarem na internet as primeiras imagens de Alice o País das Maravilhas para que a expectativa fosse geral: todos aguardando mais uma obra-prima de Tim Burton com suas características inigualáveis, mais uma parceria Burton/Depp e além de tudo, uma visão completamente diferente do mundo criado por Lewis Caroll, afinal, quando contestado sobre como seria o filme, foi assim que o diretor o classificou.

Edward Mãos-de-Tesoura (a primeira das parcerias), A Fantástica Fábrica de Chocolate e Sweeney Todd são exemplos da capacidade magistral de Burton em se fazer bons filmes, produções que se tornaram verdadeiros clássicos do cinema e que dentre outras produções promoveram Johnny Depp ao posto de melhor ator do cinema atual, portanto, não só por fãs, Alice no País das Maravilhas foi aguardado por muitos, tornando-se um dos mais esperados do ano, que criou então grandes expectativas. Expectativas que após o lançamento se convergiram na pior das decepções.

A narrativa, diferentemente do que havia se visto até então, remete a história de Alice após dez anos ter visitado pela primeira vez o país das maravilhas (e não, não é a continuação da história de Lewis Caroll, afinal, de acordo com a obra original a seqüência chama-se Alice no País dos Espelhos, portanto, o roteiro aqui é completamente criado por Burton e não uma seqüência como muitos afirmam), Alice se encontra de certa maneira infeliz com a vida que leva, repleta de dúvidas e confusão com relação a seus sonhos que não são nada mais que lembranças do país das maravilhas, mas que claro, agora convergiram em transtornadas alucinações, já que Alice não lembra de nada. Ela então, após ser pedida em casamento, foge e sai à procura do famoso coelho branco que nos últimos dias tem visto seguindo-a, e é quando Alice acaba caindo novamente no buraco e embarca mais uma vez no universo que desta vez lhe tem uma difícil missão: salvar o país das maravilhas do reinado da rainha de copas, já que todos acreditam que ela é a única capaz de realizar tal feito.

Mudar o roteiro de um clássico e ainda assim almejar a aprovação do público como no original já é uma audácia e tanto, porém Tim Burton teria a capacidade de realmente atingir seu público, entretanto aqui não acontece e o que poderia ser um marco em sua carreira, não passa de um filme que deixa tudo a desejar (e isso quando tinha tudo para ser um dos melhores do ano).

A começar pelos personagens, a própria Alice (interpretada pela desconhecida Mia Wasikowska) não tem carisma nenhum, não cativa e não tem expressão alguma – tudo ao “melhor” estilo Kristen Stewart - , portanto, não ganha reconhecimento algum do público, o que faz com que poucos se importem com o que aconteça à ela, já os personagens secundários, como o Coelho Branco, o Valete de Copas, os gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum e até mesmo um rato e uma lagarta que Tim Burton adiciona na narrativa, não ganham destaque algum e não mostram o porquê de estarem ali, já que não têm participação coesiva alguma no roteiro, estando ali simplesmente para efeito visual de toda a produção, afinal, o visual é o grande destaque de Alice. Contudo, a maior frustração está nos personagens de Johnny Depp e Helena Bonham Carter que de fato eram as maiores promessas de toda a produção, afinal, pôsteres oficiais, capas de produtos relacionados e até mesmo o DVD trazem a imagem do Chapeleiro Maluco, que foi a razão pela qual muitos assistiram Alice: a expectativa de ver Johnny Depp mais uma vez em um personagem marcante e surpreendente, assim como ocorreu em O Cavaleiro das Trevas em que ninguém se quer se importava com Batman e a quarta maior bilheteria da história do cinema foi graças ao Coringa, mas diferentemente de Alice, Heath Ledger, a maior expectativa, verdadeiramente fez o maior e melhor vilão do cinema (e não estou exagerando), já o Chapeleiro Maluco é uma expectativa que se frustrou.

Definitivamente o problema não é Johnny Depp, tanto que nas poucas vezes em que há destaque ao Chapeleiro ele atua perfeitamente bem, de maneira marcante e única, mas que infelizmente, devido a um roteiro perdido, que tenta criar uma espécie de conto épico, ele simplesmente se apaga, tornando-se um simples personagem coadjuvante na história que infelizmente – com todo o peso que a palavra possa carregar – parece ter sido esquecido por seus produtores, assim como a Rainha de Copas (Helena Bonham Carter) que de maneira mais amena, sofre do mesmo mal criado pelo roteiro audacioso que não atinge seus objetivos, e o resultado é uma fraca narrativa que não convence, não empolga, não cativa a ninguém e faz de personagens que poderiam ser verdadeiros marcos no cinema se tornarem meros coadjuvante sem muita relevância.

Uma das maiores – e tristes – decepções do cinema.

6 comentários:

ana disse...

Discordo em diversas partes que nao convem
eu flar aqui, mas fla serio, se ALICE nao
é um bom filme o que é entao??? E o coringa melhor vilao da historia?? Fla Serioooo!!!!

Tamiris disse...

Alice naõ é um filme bom???
Sou suspeita pra falar mas...
Johnny Depp esta incrivel, dando ao Chapeleiro um toque unico, uma figura complexa, q aparenta ter ficado por 10 anos sentado na msma mesa de cha aguardando o retorno d Alice, atormentado pelo reinado de tirania da Rainha de Copas, q pode nao ser o papel da vida de Helena Bonham Carter, mas ela esta se mostrando uma otima atriz.
Concordo q Mia Wasikowska é meio sem sal, mas devemos lembrar q ela esta no começo d sua carreira...
A lagarta, Absolem tem como papel atormentar Alice perguntando a ela inumeras vezes "quem é vc?", fazendo q a garota procure a resposta dentro d si. Os outros personagens secundarios aparecem na medida certa para nao afetarem na trama.
Alice por mais q seja um filme Disney, não é para crianças, até mesmo a animaçao, ele é cheio de mensagens q as vezes adultos nao a compreendem
Já a versão 3D do filme deixou a desejar, Burton deveria ter abusado mais...
Bom, acho q deixei meu ponto de vista bem claro...
"Tudo tem uma moral: é só encontrá-la." - Lewis Carroll

Eslaine disse...

Realmente, Johnny nao teve muito destaque no filme...mas o que realmente faltou no filme, na minha opinião, foi emoção! a historia que poderia ser bem intrigante fico chata e com pouca ''vontade'', concordo que não é um filme para se esperar grande ação, é mais um filme para reflexão e cheio de mensagens subliminares, é um filme para parar e pensar... assim como a tammy disse, parte do filme a lagarta passa perguntando QUEM É VOCÊ?

Fabrício disse...

Ja tive que apresentar um trabalho sobre um livro que se chama " Sindrome da rainha vermelha" é baseado nesse livro ae.. Mas ta muito bem acertado a postagem

Gabe disse...

Concordo com o que você falou sobre a personagem da Alice, mas sinceramente, eu gostei do filme. E realmente, mudar um clássico é bem complicado, você deixa os verdadeiros fãs decepcionados, na maioria das vezes. :/

Anônimo disse...

NEM EM 3D FICO LEGAL..=/...

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