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A Rede Social


Um forte marketing que antecede a estréia de uma produção pode ser algo extremamente positivo, que crie expectativas com relação ao que se irá ver nas telas e que por conseqüência implique em uma rentável bilheteria que satisfaça aos ávidos espectadores que anseiam por um ótimo trabalho, ou então uma complicada e triste decepção que, ao se ver o tão esperado resultado, em nada acrescente, senão um profundo desgosto. Porém, tudo é ainda melhor quando o processo se inverte: uma baixa expectativa ocasionada da descrença no possível bom resultado de uma produção que é contraposta a um grande filme, surpreendendo assim a todos que aguardavam um novo fiasco, afinal é justamente quando não se espera nada, que uma boa produção surpreende, torna-se o centro das atenção, e arranca seus merecidos elogios, assim foi com Quem Quer Ser Um Milionário? e o com o futuro vencedor do Oscar de Melhor Filme (e disto tenho certeza), A Rede Social.

Nos últimos tempos David Fincher tem mostrado uma gradativa melhora em suas produções, erros dos últimos trabalhos foram corrigidos e na busca pela perfeição de uma produção, todo o conjunto da obra parece ser meticulosamente calculado e produzido de modo a se criar um grande filme que agrade a todo o público: Clube da Luta, Zodíaco e O Curioso Caso de Benjamin Button são memoráveis exemplos de tais fato. Por isso, quando se soube que Fincher trabalhava na produção do filme que contava a história da criação do Facebook a surpresa e o desânimo foram fatores predominantes, afinal para muitos, se tratava apenas de uma história de adolescentes nerds de Harvard que, “acidentalmente”, criaram a mais famosa rede social da web (a maneira mais chula e hipócrita de se resumir o processo de criação do maior negócio baseado em plataformas virtuais depois do gigante Google), mas não só isso, David Fincher ainda estava em seu constante processo em busca da perfeição e por isso, sem se esquecer do bom cinema, retratou brilhantemente a história de maneira cativante, prendendo a atenção do público durante todo o tempo (ainda que os fatos sejam do conhecimento de muitos) e com um elenco jovem e desconhecidos pela maioria, fez tudo ser ainda melhor, transformando o que por muitos era apenas um mero filme que tratava de adolescentes, em um filme maduro, interessante e reflexivo.

Jesse Eisenberg, do divisor de opiniões Zumbilândia, faz o papel principal de Mark Zuckerberg, o anti-social e brilhante estudante de Harvard de maneira exemplar, afinal, não só nas falas (em que até mesmo reproduz o ritmo rápido do verdadeiro Zuckerberg em se expressar!), mas também nas características inefáveis do personagem: a maneira de olhar, andar e como se relaciona com tudo e com todos ao seu redor, tudo sendo executado em sincronia perfeita com a personalidade necessária a se atingir os objetivos da narrativa, transformando-o de herói a vilão de maneira fácil, gradativa e plenamente competente (garantindo sua premiação da Academia, ainda que James Franco seja o maior merecedor por seu 127 Horas , mas daí a história já é outra).

Mas de fato, a mais interessante atuação em se ver na tela é a de Andrew Garfield como o brasileiro Eduardo Saverin, o único e melhor amigo de Mark, co-fundador do Facebook que ao se ver traído, o processa exigindo seus direitos pela empresa. Não só a visão pela qual o filme encena (afinal a produção é baseada no livro Bilionários por Acaso, de Ben Mezrich, que é todo escrito baseado apenas nas declarações de Saverin, pois Zuckerberg se nega a contar qualquer fato com relação a criação de sua empresa), o mais impactante é ver um ator que até então não possui crédito algum ou uma mínima produção de destaque, roubar a cena o tempo todo e conquistar o espectador sem que seja o grande personagem da trama; Eduardo não é visto como o gênio de seu tempo e nem mesmo detém os melhores diálogos dentre todos, contudo ainda assim consegue seu merecido destaque e mostra que, apesar do anonimato até então, é um dos melhores (destaque as cenas em que contracena com Justin Timberlake, que em sua breve carreira no cinema, faz aqui sua melhor atuação e acredito, inicia, de fato, uma promissora carreira).

Um dos melhores do ano, àqueles que buscam um retrato real da história do Facebook, a narrativa certamente não será uma das melhores, afinal, claro, há o toque “Hollywoodiano” que apimenta a trama, pequenos fatores ou mínimas atitudes que, apesar de parecerem irrelevantes, ainda assim comprometem e fazem com que a história siga em ritmos necessários a se ter a atenção do espectador e converta-se em uma grande narrativa de ambições, genialidade e traição, contudo ainda assim é um grande filme e merecedor de seu destaque e sua premiação (realmente é o favorito de 2011 da Academia), pois não só contar a história da criação do maior negócio baseado em plataformas Web, A Rede Social consegue interagir com todos, sejam os espectadores usuários da rede ou não, a par dos acontecimentos ou mesmo nunca terem ouvido falar sobre Facebook: todos são acometidos pela trama, se deixam levar pela perfeita narrativa e ficam refletindo por longos dias.

Enfim, parece que David Fincher atingiu plenamente seus objetivos.

5 comentários:

Pobre esponja disse...

Demorou para eu assistir esse filme.
Agora que fiquei sabendo que tem brasileiro no meio, fiquei mais interessado ainda.
Parabéns pela ótima resenha, português e tudo.
Estou seguindo.
Isso aí.

abç
Pobre Esponja

MARCRISPA disse...

Brasil tiene tradición de cine, seguramente no sabes de aquel 'novo cinema' de los '70, pero yo guardo los mejores recuerdos y también las superproducciones para televisión de red Globo y Manchete (entonces por antena parabólica!!!) '80
La veta creativa sigue presente en las nuevas generaciones y con mejores herramientas.
Antes era un cine más poético y de inspiración, hoy más tecnológico y argumental

Kiko Lemos disse...

Vi na semana de estreia e adorei tanto que tbm fiz um post lá no meu blog, achei realmente arrebatador.

Grande abraço

Eslaine Sbrana disse...

Fiquei muito irritada! eu uso Facebook e quase deletei minha conta por causa do filme! nao acredito q eu dou milhoes de dolares todos os dias pra akele muleke traira!
mas enfim o filme é sensacional e me agradou muito, realmente vc tem razão em te gostado tanto do filme, e sem fala q parece um filme tao bobo mas tem muita coisa envolvida, valeu a pena assistir! ta de parabéns pelos coments

Beijosss

Karla Hack dos Santos disse...

REalmente, eu achava que este filme não ia ser bom.. MAs, estava enganada! É, com certeza, o favorito. A comparação com Quem quer ser Milionáro? foi certeira.

Eu sempre gostei do trabalho de David Fincher.. De fato, ele está em ascenção!

Eu já tinha me apaixonado por Jesse em Zubilândia, me surpreendi com ele em A Rede Social; Contudo, acho que o Melhor ator vai para o Colin Firth - em que pese goste muito do James Franco.

;D

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